Até o Fim – Chico Buarque (Letras)
Quando nasci veio um anjo safado O chato do querubim E decretou que eu estava predestinado A ser errado assim […]
Quando nasci veio um anjo safado O chato do querubim E decretou que eu estava predestinado A ser errado assim […]
Junto à minha rua havia um bosque Que um muro alto proibia Lá todo balão caia, toda maçã nascia E
Sei que a noite inteira eu vou cantar Até segunda feira Quando volto a trabalhar, morena Sei que não preciso
Quando eu canto, que se cuide quem não for meu irmão O meu canto, punhalada, não conhece o perdão Quando
A novidade Que tem no Brejo da Cruz É a criançada Se alimentar de luz Alucinados Meninos ficando azuis E
Oi, coração Não dá pra falar muito não Espera passar o avião Assim que o inverno passar Eu acho que
Ai, que saudades que eu tenho Dos meus doze anos Que saudade ingrata Dar banda por aí Fazendo grandes planos
E se o oceano incendiar E se cair neve no sertão E se o urubu cocorocar E se o Botafogo
E nada como um tempo após um contratempo Pro meu coração E não vale a pena ficar, apenas ficar Chorando,
Quando adormecia na ilha de Lia, meu Deus eu só vivia a sonhar Que passava ao largo no barco de
Eu te adivinhava E te cobiçava E, te arrematava em leilão Te ferrava a boca, morena Se eu fosse o
Vivia a te buscar Porque pensando em ti Corria contra o tempo Eu descartava os dias Em que não te